Este texto tem o objetivo de esclarecer e
desmistificar uma série de aspectos em relação
a esta nova necessidade imposta para a cadeia
produtiva da carne: a Rastreabilidade Bovina
ou Bubalina.
Em primeiro lugar, devemos entender o que
é a Rastreabilidade, e depois qual são as
atividades e funções a serem realizadas pelos
pecuaristas em relação a esta nova demanda
de mercado.
Rastreabilidade é a atividade de controlar
e gerenciar uma série de informações em relação
aos animais, individualmente, desde o seu
nascimento até o abate. As informações controladas
referem-se ao local de nascimento (propriedade
rural), data de nascimento, sexo, raça, aptidão,
deslocamentos (entre propriedades de um mesmo
produtor, entre propriedades de produtores
diferentes e entre propriedade e frigorífico),
por exemplo: transações de compra e venda
de gado, manejo alimentar e manejo sanitário.
Com este conceito apresentado, já existe
um grande ponto de discussão: a relação existente
entre a Certificação de Origem e a Certificação
de Qualidade do Produto. Quando falamos em
Rastreabilidade, estamos falando de Certificação
de Origem. Isto por si só já é uma forma de
qualificar o produto cárneo, mas não podemos
confundir com Certificação de Qualidade do
Produto em relação a outras características,
tais como, características obtidas de acordo
com o manejo alimentar e sanitário dos animais.
Hoje a Certificação de Origem passa a ser
obrigatória para qualquer pecuarista brasileiro,
independente do manejo alimentar e sanitário
adotado na propriedade. Para os pecuaristas
que desejam, por exemplo, produzir o "boi
orgânico" ou o "boi a pasto", estes necessitam
fazer a Certificação de Origem e mais determinados
procedimentos, controles e auditorias para
conferir a Certificação de Qualidade do Produto
de acordo com o que foi produzido a campo,
validados pela Certificadora independente
e com credibilidade internacional, frente
aos mercados desejados e prospectados.
Outro ponto a ser entendido, é as funções
e as atividades a serem realizadas para efetivar
a Rastreabilidade a campo. Neste sentido,
a Rastreabilidade pode ser dividida em três
partes: a utilização de sistemas de identificação
animal, o sistema de processamento, armazenagem
e gerenciamento dos dados (software) e a auditoria
e verificação dos dados a campo (Certificação
de Origem). Através deste conceito, pode-se
desmistificar mais dois grandes pontos de
discussão: a necessidade e a obrigatoriedade
de utilização de sistemas eletrônicos de identificação
animal e as empresas ou entidades que realizarão
a auditoria e a emissão dos "Certificados
de Origem". Com relação aos sistemas eletrônicos
de identificação animal, atualmente está se
fazendo um vínculo desnecessário a Rastreabilidade.
Para fazer a Rastreabilidade Bovina ou Bubalina,
o pecuarista não é obrigado a identificar
os animais com sistemas eletrônicos. O que
ele deve fazer é identificar os animais de
forma que garanta a individualidade e perpetuidade
desta identificação ao longo dos anos e de
acordo com a sua realidade de manejo. Desta
forma, existem opções de identificação animal
a serem utilizadas pelo pecuarista e para
cada tipo de identificação utilizada existem
algumas regras básicas a serem seguidas e
são as seguintes:
| Sistema
de Identificação |
Regras
Básicas |
|
|
|
O brinco
deve ser inviolável, gravado
a laser e com polímetro de fabricação
resistente ao tempo.
O brinco deve conter o número
do animal para o manejo interno
da propriedade e o número seqüencial
único, em nível nacional,
gerenciado pelas empresas e
entidades creden- ciadas, além
do número do SISBOV.
|
|
| Eletrônico
Externo / Interno |
|
|
Todo e qualquer
sistema de identifi-cação eletrônico
interno ao animal deve acompanhar
um sistema de identifi-cação
animal externo com capacidade
de leitura visual.
|
|
|
|
|
A tatuagem
deve ser uma marca física, fixa
ao animal e que garanta a identificação
individual do animal dentro
de um lote de animais.
|
|
|
|
|
A marca a
fogo deve ser uma marca física,
fixa ao animal e que garanta
a identificação individual do
animal dentro de um lote de
animais, ou seja, a numeração
mais a marca da fazenda ou do
produtor.
|
|
**
animais com tatuagem e marca a fogo deverão,
antes de deixarem a propriedade de origem,
receber um brinco com a respectiva numeração
seqüencial única em nível de Brasil, da empresa
ou entidade que gerencia a Rastreabilidade.
Quando o pecuarista iniciar o trabalho de
Rastreabilidade Bovina ou Bubalina na sua
propriedade, ele deve procurar no mercado
empresas de Rastreabilidade e Certificações
homologadas pelo MAPA e que contemplem a utilização
de qualquer uma destas opções de identificação
animal, buscando interferir o mínimo possível
na sua realidade de manejo a campo. Desta
forma, o pecuarista tem uma gama grande de
sistemas de identificação animal a ser escolhido,
de acordo com o preço, aplicabilidade, segurança
e aptidão de utilização dos mesmos.
Em relação à auditoria a campo e a emissão
de Certificados de Origem, devemos considerar
que este trabalho será realizado por empresas
privadas. Estas empresas ou entidades devem
ter um quadro de auditores espalhados por
todo o Brasil e capacitados para realmente
verificar e auditar as informações cadastradas
dos animais, ou seja, estes técnicos (veterinários,
agrônomos ou zootecnistas) devem entender
e dominar as formas de identificação animal
possíveis de serem utilizadas pelo pecuarista
para fins de Rastreabilidade, devem conhecer
o software (ferramenta de trabalho) utilizado
pelo pecuarista e devem saber quais são as
informações a serem conferidas e certificadas
a campo. Feito isto, o mesmo, através da empresa
privada ou entidade a que está vinculado,
emitirá o Certificado de Origem dos animais
ou então homologará os animais no sistema
ao qual estão vinculados. Mais uma vez, desta
forma, o pecuarista poderá escolher no mercado
com quem ele deseja realizar a auditoria a
campo, de acordo com o preço do serviço, responsabilidade
e idoneidade da empresa ou entidade e equipe
técnica existente o mais próximo de sua propriedade.
Com estes conceitos e explicações comentadas
anteriormente, restam ainda dois aspectos
a serem comentados: a relação custo benefício
da Rastreabilidade e a questão de gestão dos
dados da atividade pecuária.
Atualmente a Rastreabilidade tem sido encarada
como um fator de custo a mais para os pecuaristas.
Isto não é correto e existem dois pontos a
serem considerados em relação aos valores
despendidos na Rastreabilidade. Primeiro,
a necessidade de se fazer a Rastreabilidade
decorre por uma demanda de mercado (consumidor)
e legislação, ou seja, para poder vender a
carne é necessário fazer o Rastreamento do
gado desde o nascimento até o abate. Desta
forma os valores despendidos são na verdade
um investimento para que o pecuarista possa
se manter no mercado ou até mesmo abrir novos
mercados. Segundo, os dados e as informações
necessárias a Rastreabilidade estão relacionados
com a gestão e a administração da atividade
pecuária propriamente dita, ou seja, independente
desta nova demanda de mercado (Rastreabilidade),
o pecuarista que deseja obter sucesso e rentabilidade
na sua atividade, necessita coletar, processar
e controlar estes dados e informações para
sua própria tomada de decisão, de acordo com
os critérios técnicos, de manejo e econômicos
em relação ao seu rebanho. Assim sendo, este
"custo" já existe no dia a dia da atividade
de bovinocultura e os valores despendidos
para que os pecuaristas se adaptem a esta
nova realidade, na verdade são os custos marginais
ao que já deveria ser feito atualmente.
Considerando a exigência de Rastreabilidade
a partir de 1º de junho de 2002, apresentamos
como solução a Rastreabilidade com origem
na entrada dos animais no sistema. A identificação
destes animais é semelhante à identificação
de origem, porém as informações coletadas
passam a ter validade a partir da inspeção
técnica, momento no qual o animal será identificado
através de seus dados coletados e sua origem
certificada pelo técnico.
Foi baseado em todos estes conceitos e premissas
que a Rural BR - Rastreabilidade e Certificação
de Origem Ltda. desenvolveu o RuralSis - Sistema
de Gestão de Rastreabilidade e Certificação
Animal.
O RuralSis é um sistema de Rastreabilidade
e Certificação que permite a identificação
individual dos animais e o controle dos mesmos,
desde o nascimento até o abate, registrando
todas as ocorrências relevantes ao longo de
sua vida e realizando o relacionamento necessário
com o mercado consumidor (Certificação de
Origem) e com os sistemas de identificação
animal existentes. Este produto, para atender
as exigências do Mercado Internacional e Nacional,
foi baseado na portaria do Ministério da Agricultura,
de número 35, no regulamento 1760/2000 da
Comunidade Econômica Européia, com suas respectivas
atualizações e na regulamentação nacional
SISBOV (normativa 001/2002 e 021/2002).